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# Projeto de gás: gás ou casa 100% elétrica?
- URL: https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-6-projeto-gas-casa/
- Published: 2026-06-25T15:14:59.000Z
- Updated: 2026-08-25T13:27:22.000Z
- Description: O projeto de gás já não é obrigatório na construção nova. Gás natural, GPL ou casa 100% elétrica: a primeira decisão e como decidir bem.
- Author: João Ceriz
- Tags: Fase 3 - Especialidades e Licenciamento, 3.6 - Gás, gas, gas-natural, gpl, dgeg

O **projeto de gás** é a especialidade que talvez não precise mesmo de ter. Desde 2023 que a pré-instalação de gás deixou de ser obrigatória na construção nova em Portugal, e isso muda a primeira decisão a tomar: gás ou casa 100% elétrica. Se optar por gás, o projeto define condutas, equipamentos, ventilações e o corte de segurança. Se optar por elétrico, este projeto desaparece.

## Em resumo

- O projeto de gás define a rede de distribuição, os equipamentos, as ventilações obrigatórias e o sistema de corte da habitação.
- Desde o Decreto-Lei 11/2023, a pré-instalação de gás deixou de ser obrigatória na construção nova.
- A primeira decisão é o tipo de energia: gás natural, GPL ou casa 100% elétrica.
- Se houver equipamentos a gás, o projeto é obrigatório e a instalação tem de ser feita por empresa certificada pela DGEG.
- As aberturas de ventilação em espaços com gás nunca podem ser fechadas, nem por estética nem por isolamento.

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## A primeira decisão: gás ou casa 100% elétrica

Antes de pensar no projeto de gás, vale parar e perguntar se quer mesmo gás. Desde o Decreto-Lei 11/2023, de 10 de fevereiro, os edifícios novos ou em obra deixaram de ser obrigados a ter instalação de gás. A pré-instalação que durante anos foi imposta deixou de o ser, e isso abre a porta à casa 100% elétrica.

A alternativa elétrica é cada vez mais atraente. Uma bomba de calor aerotérmica para aquecimento e águas quentes, mais uma placa de indução na cozinha, elimina por completo o projeto de gás. Sem gás, há menos manutenção (o gás exige inspeção e revisão anual da chaminé ou ventosa), um licenciamento mais simples e nenhum risco associado à combustão dentro de casa.

Mas o gás continua a ter o seu lugar. Em zonas com rede de gás natural, o custo por kWh é geralmente inferior ao da eletricidade e ao do GPL, e há quem prefira a chama na cozinha. A decisão tem impacto no licenciamento, nos custos de manutenção e no orçamento global, por isso convém verificar junto da distribuidora local se há rede de gás natural no terreno e quais os custos e prazos de ligação antes de decidir.

## Gás natural, GPL ou bomba de calor: como escolher

A escolha do tipo de energia resume-se a três caminhos, e cada um tem implicações claras. A resposta certa depende da zona, do orçamento e de quanto valoriza a simplicidade futura.

1. **Gás natural.** A opção mais económica e prática onde existe rede pública, com fornecimento contínuo e preço por kWh competitivo. Implica ligação à rede e projeto de gás.
2. **GPL.** A alternativa em zonas sem rede de gás natural, armazenado num depósito próprio, enterrado ou aéreo. Implica espaço exterior dedicado e condicionantes de segurança específicas.
3. **Casa 100% elétrica.** Bomba de calor e indução eliminam o projeto de gás, reduzem a manutenção e simplificam o licenciamento. O investimento inicial na bomba de calor é mais alto, tipicamente entre 6.000 € e 12.000 € (fornecedores, 2025).

O ponto contraintuitivo: poupar no equipamento inicial pode sair caro. Uma bomba de calor reduz as despesas de aquecimento em 30% a 50% face a sistemas a gás, e a poupança acumula-se ao longo dos anos. Já o gás natural canalizado ganha quando há rede à porta e um consumo elevado. Não há resposta única, mas há uma resposta certa para cada caso, e ela decide-se agora, não depois das paredes fechadas. Mudar de ideias mais tarde, acrescentar gás a uma casa que nasceu elétrica ou o contrário, obriga a abrir paredes, refazer traçados e voltar a licenciar, com um custo que nada tem a ver com a decisão tomada a tempo no projeto.

💡

Antes de avançar com o projeto de gás, ponderar a fundo a opção 100% elétrica. Bomba de calor aerotérmica e placa de indução eliminam este projeto, reduzem a manutenção e simplificam todo o licenciamento da obra.

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## O que o projeto de gás define (e quem o pode fazer)

Se a opção for gás, o projeto é obrigatório sempre que existam equipamentos a gás: esquentador, fogão, caldeira ou lareira. Define o traçado das condutas, a localização dos equipamentos e os sistemas de ventilação obrigatória, sempre em conformidade com o regulamento técnico e a legislação em vigor.

![Esquentador de água a gás instalado numa parede de uma habitação](https://images.unsplash.com/photo-1601914697928-0b536e76d048?crop=entropy&cs=tinysrgb&fit=max&fm=jpg&ixid=M3w5NjczNDF8MHwxfHNlYXJjaHw1fHxnYXMlMjBwaXBlJTIwdmFsdmUlMjBpbnN0YWxsYXRpb24lMjBib2lsZXIlMjBob21lfGVufDF8MHx8fDE3ODIzOTgyMDB8MA&ixlib=rb-4.1.0&q=80&w=1080) 

Foto: [iMattSmart](https://unsplash.com/photos/white-and-black-water-heater-SYdhFwICWJU?utm%5Fsource=guiadaobra&utm%5Fmedium=referral) via Unsplash

O projeto tem de ser feito por um projetista de instalações de gás certificado pela DGEG, e a instalação tem de ser executada por uma empresa também certificada. Este ponto não é negociável: instalações feitas por empresas não certificadas não podem ser inspecionadas nem legalizadas, e sem inspeção aprovada não há fornecimento de gás. A inspeção é feita por uma Entidade Inspetora de Gás autorizada pela DGEG, e o certificado de uma habitação é válido por cinco anos.

Há ainda uma coordenação que poupa muitos problemas. O projeto de gás tem de conversar com o AVAC, o SCIE e a arquitetura, porque a localização dos equipamentos e as ventilações obrigatórias têm impacto direto nos quatro. E vale confirmar com a distribuidora a posição do contador antes de fechar o projeto, porque é ela que condiciona todo o traçado da rede interior.

A segurança do gás não acaba com a obra. Depois de instalada e aprovada, a instalação fica sujeita a inspeções periódicas obrigatórias ao longo da vida da casa, feitas por entidades autorizadas pela DGEG. É uma diferença prática face à casa 100% elétrica, que não tem este encargo recorrente. Quem escolhe gás deve contar com esta manutenção regular no orçamento de longo prazo, não só com o custo da instalação inicial.

## Segurança: ventilação e corte que não se negoceiam

A segurança numa instalação de gás assenta em duas coisas simples e inegociáveis: ventilação e corte. Ignorar qualquer uma delas é um risco real e uma infração grave. Não são detalhes técnicos, são o que mantém a casa segura.

Todos os espaços com equipamentos a gás têm de ter ventilação obrigatória, aberturas ou sistemas exigidos por lei para prevenir a acumulação de gases. Obstruir ou reduzir essas aberturas por razões estéticas ou de isolamento é uma infração grave e um perigo. É uma tentação comum, tapar a grelha de ventilação da cozinha que estraga o alinhamento dos armários, mas nunca se deve fazer.

A segunda peça é a válvula de corte geral, de fácil acesso. Em caso de emergência ou manutenção, cortar o fornecimento rapidamente pode evitar um acidente. Vale a pena listar os pontos de segurança que o projeto tem de garantir:

1. Ventilação obrigatória em todos os espaços com gás, nunca obstruída.
2. Válvula de corte geral de fácil acesso.
3. Evacuação de fumos e gases na cozinha.
4. Distâncias de segurança aos equipamentos respeitadas.
5. Instalação por empresa certificada pela DGEG.
6. Inspeção aprovada antes do primeiro fornecimento.

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## Perguntas frequentes sobre o projeto de gás

**O projeto de gás é obrigatório numa moradia nova?** 

Desde o Decreto-Lei 11/2023, a pré-instalação de gás deixou de ser obrigatória na construção nova. O projeto de gás só é obrigatório se a casa tiver equipamentos a gás, como esquentador, fogão, caldeira ou lareira. Se optar por uma casa 100% elétrica, com bomba de calor e indução, não precisa deste projeto.

**Compensa fazer casa 100% elétrica em vez de gás?** 

Em muitos casos, sim. Uma bomba de calor reduz as despesas de aquecimento em 30% a 50% face ao gás, elimina a manutenção anual da chaminé e simplifica o licenciamento. O investimento inicial é mais alto, entre 6.000 € e 12.000 €. O gás natural ganha quando há rede à porta e consumo elevado. Depende da zona e do orçamento.

**Qual a diferença entre gás natural e GPL?** 

O gás natural chega por rede pública, tem fornecimento contínuo e preço por kWh geralmente mais baixo. O GPL é a alternativa onde não há rede, armazenado num depósito próprio enterrado ou aéreo, o que implica espaço exterior dedicado e condicionantes de segurança. Em zonas com rede de gás natural, esta costuma ser a opção mais económica.

**Quem pode fazer a instalação de gás?** 

O projeto tem de ser de um projetista certificado pela DGEG e a instalação executada por uma empresa também certificada. Instalações feitas por empresas não certificadas não podem ser inspecionadas nem legalizadas, e sem inspeção aprovada não há fornecimento de gás. A inspeção é feita por uma Entidade Inspetora de Gás autorizada pela DGEG.

**Posso fechar as grelhas de ventilação da cozinha?** 

Não. As aberturas de ventilação obrigatória em espaços com gás existem para prevenir a acumulação de gases e nunca podem ser obstruídas ou reduzidas, nem por estética nem por isolamento. Fechá-las é uma infração grave e um risco de segurança sério. Numa inspeção, uma ventilação obstruída reprova a instalação.

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*Continuar a ler:* [Projeto AVAC](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-5-projeto-avac-climatizacao-casa/) · [Projeto SCIE](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-4-projeto-scie-incendio-casa/) · [Projeto de eletricidade](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-2-projeto-eletricidade-casa/)