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# Projeto térmico (REH): a classe energética da casa
- URL: https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-7-projeto-termico-reh-casa/
- Published: 2026-06-30T09:47:10.000Z
- Updated: 2026-08-25T13:27:23.000Z
- Description: O projeto térmico decide a classe energética e o conforto da casa. Isolamento, pontes térmicas e por que vale apontar à classe A.
- Author: João Ceriz
- Tags: Fase 3 - Especialidades e Licenciamento, 3.7 - Projeto Térmico (REH), reh, certificado-energetico, isolamento, eficiencia-energetica

O **projeto térmico** é o que decide a classe energética da casa e, com ela, o conforto e a fatura de energia de toda a vida. É o cálculo que prova à câmara que a casa cumpre o REH, mas é muito mais do que um papel: define o isolamento, os vidros e a forma como o calor entra e sai. E é a decisão com maior retorno a longo prazo de toda a obra.

## Em resumo

- O projeto térmico garante que a casa cumpre o REH e gera o pré-certificado energético, obrigatório para a licença de utilização.
- A classe mínima para construção nova tem sido B-, mas a tendência regulatória aponta para A e vale apontar para lá.
- Tem de ser feito por um perito qualificado inscrito no SCE/ADENE.
- Subir de classe B- para A custa muitas vezes só 2.000 € a 3.000 € em materiais, com retorno em poucos anos.
- As pontes térmicas são o erro mais subestimado e provocam humidade, bolor e pior classe energética.

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## O que é o projeto térmico e porque é decisivo

O projeto térmico garante que a habitação cumpre os requisitos mínimos de eficiência energética do REH, o Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação. Dele sai o pré-certificado energético, e a certificação é obrigatória para obter a licença de utilização. Sem ela, a casa não pode ser legalmente ocupada.

Mas reduzi-lo a uma obrigação legal é perder o essencial. Este projeto define o tipo e a espessura do isolamento, o tipo de vidros e caixilharia, os sombreamentos e a contribuição de energias renováveis. É a soma destas escolhas que determina a classe energética da casa, numa escala que vai de A+ (melhor) a F (pior). Em Portugal, a maioria das casas antigas anda pela classe C ou pior, e isso traduz-se em faturas altas e desconforto.

O enquadramento atual vem do Decreto-Lei 101-D/2020, que rege o Sistema de Certificação Energética (SCE), atualizado em 2025 na sequência da nova diretiva europeia. A direção é clara: a Europa quer todos os edifícios em classe A ou B até 2040\. Construir hoje uma casa nova já a pensar nessa fasquia é construir para o futuro, não para o mínimo legal de ontem.

## Qual a classe a atingir (e quem assina)

A classe mínima exigida para construção nova tem sido B-, mas vale apontar mais alto. Não cumprir o mínimo obriga a rever soluções construtivas com custos e atrasos significativos, por isso o objetivo deve ser definido cedo e com margem. Apontar para A, e não para o mínimo, é a decisão inteligente face à tendência regulatória.

O projeto tem de ser feito por um perito qualificado inscrito no SCE, o sistema gerido pela ADENE, a Agência para a Energia. É esse perito que faz os cálculos, emite o pré-certificado e assume a responsabilidade técnica. O registo do certificado tem um custo tabelado pela ADENE (cerca de 40 € para um T2/T3, mais IVA), ao qual acrescem os honorários do perito.

O número que muda tudo: pedir ao perito uma simulação comparativa entre diferentes níveis de isolamento. Subir de classe B- para A custa muitas vezes apenas 2.000 € a 3.000 € em materiais, com retorno em poucos anos através da poupança na fatura. É das melhores relações custo-benefício de toda a obra, e quase ninguém faz esta conta a tempo. Vale também perceber que a classe energética entra na avaliação do imóvel: uma casa com classe A vale mais e vende-se melhor do que uma casa igual com classe C, por isso o isolamento extra não é só poupança na fatura, é valorização do património.

💡

Investir em isolamento acima do mínimo é uma das decisões com maior retorno a longo prazo. Reduz a fatura energética, aumenta o conforto e ajuda a casa a respirar sem humidades. Pedir ao perito a simulação de custo entre classes antes de decidir.

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## As pontes térmicas: o erro que custa humidade e bolor

As pontes térmicas são o erro mais subestimado do projeto térmico, e o que provoca os problemas mais visíveis. São as zonas com menor resistência térmica, como os pilares, as lajes e as caixilharias, por onde o calor foge e onde a humidade se condensa. Mal tratadas, dão origem a manchas, bolor e degradação das paredes.

![Pormenor de uma janela vista de perto](https://images.unsplash.com/photo-1514994792087-578fe80d0ff9?ixid=M3w5NjczNDF8MHwxfGFsbHx8fHx8fHx8fDE3ODc2NjQyNTJ8&ixlib=rb-4.1.0&auto=format&fit=crop&w=1600&q=80) 

Foto: [Timothy Flippo](https://unsplash.com/photos/closeup-photo-of-window-qyQE1KfBwA4?ref=blog.guiadaobra.pt) via Unsplash

O isolamento térmico não é só uma questão de fatura. Como me lembro bem da minha obra, todas as soluções que evitam a transmissão de calor de fora para dentro e de dentro para fora ajudam a poupar muito dinheiro em climatização, mas também evitam a acumulação de humidades, os bolores e a degradação das próprias paredes. É conforto e durabilidade ao mesmo tempo.

A solução mais usada em Portugal para eliminar pontes térmicas é o ETICS, o sistema capoto, aplicado pela face exterior da fachada. Envolve a casa numa camada contínua de isolamento, protege a estrutura da humidade e elimina os pontos fracos. Vale pedir explicitamente ao perito que identifique e quantifique as pontes térmicas no projeto, porque é fácil deixá-las de fora dos cálculos e descobri-las só com as primeiras manchas no inverno.

## Contratar bem e coordenar: a lição que aprendi

A melhor decisão desta fase é contratar um bom projetista, e isso não é evidente para quem está a construir pela primeira vez. Foi a parte em que tive menos envolvimento na minha obra, por desconhecimento, sem saber que soluções existiam no mercado nem quanto custavam.

> Na minha obra não tive muito envolvimento nesta parte, também por desconhecimento meu. Mas ter a certeza de que se contrata um bom projetista para esta vertente é extremamente importante. Existem soluções bastante inovadoras que melhoram muito a componente térmica da casa, seja no chão, nas paredes ou nas coberturas. Contratar um projetista inovador, que conheça essas soluções de mercado, é o que faz com que a casa fique construída para o futuro e não assente apenas em soluções do passado, que são as que muitos empreiteiros conhecem.

A coordenação também é decisiva. O projeto térmico tem de arrancar em paralelo com a arquitetura, porque alterar soluções construtivas mais tarde para cumprir o REH é caro. E partilha cálculos e soluções com o AVAC, por isso os dois têm de ser desenvolvidos de forma integrada. As decisões que valem a pena fechar cedo:

1. Tipo e espessura de isolamento em paredes, cobertura e pavimento.
2. Tipo de vidros e caixilharia, com corte térmico.
3. Sistemas de sombreamento para o verão.
4. Contribuição de energias renováveis, como solar térmico ou fotovoltaico.
5. Tratamento explícito das pontes térmicas.
6. Classe energética alvo, definida com margem face ao mínimo.

E confirmar uma coisa no fim: que os equipamentos AVAC previstos no REH correspondem aos que vão ser mesmo instalados. Qualquer substituição tem de ser comunicada ao perito, ou a classe energética final pode descer.

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## Perguntas frequentes sobre o projeto térmico

**O projeto térmico e o certificado energético são obrigatórios?** 

Sim. O projeto térmico prova o cumprimento do REH e gera o pré-certificado energético, que é obrigatório para obter a licença de utilização. Sem certificação, a casa não pode ser legalmente ocupada. É enquadrado pelo Decreto-Lei 101-D/2020, que rege o Sistema de Certificação Energética em Portugal.

**Que classe energética devo ter numa casa nova?** 

A classe mínima exigida tem sido B-, mas vale apontar para A. A tendência regulatória europeia caminha para classe A ou B em todos os edifícios até 2040, e subir de B- para A custa muitas vezes só 2.000 € a 3.000 € em materiais. Construir já com classe alta é mais barato do que melhorar depois.

**Quem faz o projeto térmico?** 

Um perito qualificado inscrito no SCE, o sistema gerido pela ADENE, a Agência para a Energia. É o perito que faz os cálculos, define as soluções com o arquiteto, emite o pré-certificado e assume a responsabilidade técnica. Vale escolher um projetista que conheça soluções de mercado inovadoras, não só as tradicionais.

**O que são pontes térmicas e porque importam?** 

São zonas com menor resistência térmica, como pilares, lajes e caixilharias, por onde o calor foge e a humidade se condensa. Mal tratadas, provocam manchas, bolor e pior classe energética. O sistema capoto (ETICS) ajuda a eliminá-las. Pedir ao perito que as identifique e quantifique no projeto evita surpresas no primeiro inverno.

**Vale a pena investir em mais isolamento do que o mínimo?** 

Vale, e muito. Um bom isolamento reduz os custos de aquecimento em 30% a 50% e de arrefecimento em 20% a 40%, amortizando-se em poucos anos. Além da poupança, melhora o conforto e evita humidades e bolor. É das decisões com melhor retorno de toda a obra, por isso não compensa ficar pelo mínimo.

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*Continuar a ler:* [Projeto AVAC](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-5-projeto-avac-climatizacao-casa/) · [Projeto de gás](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-6-projeto-gas-casa/) · [Projeto de eletricidade](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-2-projeto-eletricidade-casa/)