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# Gás: instalei porque era obrigatório e nunca liguei
- URL: https://blog.guiadaobra.pt/fase-6-5-instalacao-gas-casa/
- Published: 2026-08-26T09:34:38.000Z
- Updated: 2026-08-26T09:34:38.000Z
- Description: Tubo posto, contador previsto, inspeção feita — e depois a casa vive a eletricidade. A conta a longo prazo aponta noutra direção.
- Author: João Ceriz
- Tags: Fase 6 - Instalações, 6.5 - Gás, gas, dgeg, ventilacao, bomba-calor

A **instalação de gás** é a única especialidade de uma obra que muita gente executa e nunca chega a usar. Tubo posto, contador previsto, inspeção feita, e depois a casa vive a eletricidade. Não é desperdício por distração: é o que acontece quando a regra local obriga a prever a rede e a conta a longo prazo aponta noutra direção.

## Em resumo

- A primeira decisão não é técnica, é económica: gás ou casa totalmente elétrica.
- A rede de gás só pode ser executada por empresa certificada pela DGEG, ou a instalação não é legalizável.
- As grelhas de ventilação são o motivo mais comum de reprovação na inspeção, e tapá-las é proibido.
- Os detetores de gás montam-se junto ao chão para GPL e junto ao teto para gás natural, porque um é mais pesado que o ar e o outro mais leve.
- Uma instalação nova tem a primeira inspeção obrigatória aos 10 anos e depois de 5 em 5, com coimas a partir de 250 € para quem não a fizer.

Segue a checklist da instalação de gás na app — passo a passo, sem esquecer nada. 

[Abrir checklist na app → ](https://www.guiadaobra.pt/?ref=blog.guiadaobra.pt) 

## Gás ou casa totalmente elétrica: a decisão antes da rede

Esta é a decisão que define se a subfase existe. Uma casa sem gás dispensa a rede, o contador, as ventilações obrigatórias e as inspeções periódicas para sempre. Uma casa com gás ganha bicos de chama na cozinha e equipamentos mais baratos à cabeça, e assume um custo de utilização mais alto ao longo dos anos.

Na minha obra a regra obrigou e a decisão prática foi outra:

> A utilização de ligação a gás é uma preferência pessoal. É importante verificar se a legislação obriga: no meu caso obrigou, mas ficou desligado. A questão é que o gás é mais barato no momento da compra dos equipamentos de aquecimento e para cozinhar, mas, por outro lado, é menos eficiente e a longo prazo torna-se mais caro. Mas há quem goste e prefira, por exemplo, cozinhar com bicos a gás. Independentemente disso, é crucial saber onde estão as ligações e ter o máximo cuidado com as mesmas, e informar-se muito bem antes de decidir. Hoje existem incentivos a soluções mais eficientes e sustentáveis, como bombas de calor ou painéis solares, pelo que o gás é cada vez menos pertinente, mas é importante confirmar caso a caso o que é melhor para cada família.

A aritmética que está por trás desta escolha é simples de fazer. Uma caldeira a gás converte cerca de 92% da energia que consome em calor. Uma bomba de calor com um SCOP de 4 entrega quatro unidades de calor por cada unidade de eletricidade que gasta, porque não produz calor, transporta-o. Mesmo com a eletricidade a custar mais do dobro do gás por kWh, o custo do calor entregue acaba por ficar cerca de metade.

O que este cálculo não diz é o resto da história, e é aí que a decisão passa a ser de cada família. O investimento inicial de uma bomba de calor é mais alto. A placa de indução cozinha bem, mas quem cozinha há trinta anos com chama nota a diferença. E há casos em que a regra municipal ou a distribuidora obrigam a prever a rede, mesmo que ninguém a vá ligar.

## Quem pode executar a rede de gás

A rede de gás executa-se por empresa instaladora certificada pela DGEG, sem exceções. Uma instalação feita por quem não tem certificação não é inspecionada nem legalizada, o que significa que a distribuidora não liga o fornecimento. Ao contrário de outras especialidades, aqui não há margem para improviso: o risco é uma fuga dentro de casa.

![Redutores e válvulas de corte de uma instalação de gás com manómetro](https://images.pexels.com/photos/8943269/pexels-photo-8943269.jpeg?auto=compress&cs=tinysrgb&w=1200) 

Foto: [Mikhail Nilov](https://www.pexels.com/@mikhail-nilov?ref=blog.guiadaobra.pt) via Pexels

O que se pede antes de adjudicar é o número de certificação da empresa e o nome do técnico responsável, por escrito. O mesmo documento serve depois para o processo da distribuidora, e pedi-lo no início evita descobrir no fim que a instalação foi feita por quem não a pode assinar.

A execução segue o [projeto de gás](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-6-projeto-gas-casa/) aprovado, com os materiais que lá estão especificados. Trocar o material por outro equivalente é uma alteração ao projeto, não uma escolha do instalador, e tem de ficar registada.

Não percas nenhum alerta crítico na execução da rede de gás. 

[Ver alertas na app → ](https://www.guiadaobra.pt/?ref=blog.guiadaobra.pt) 

## Ventilação: as grelhas que chumbam a inspeção

Todos os compartimentos com aparelhos a gás precisam de aberturas de ventilação permanentes para o exterior, e é aqui que a maioria das inspeções falha. A norma portuguesa NP 1037-1 define as áreas: para equipamentos de tipo A, uma abertura permanente na ordem dos 100 cm² numa grelha quadrada, cerca de 110 cm² numa retangular e 80 cm² numa circular, para um caudal de 30 m³/h.

![Grelhas de ventilação permanentes numa parede exterior de betão](https://images.pexels.com/photos/12326860/pexels-photo-12326860.jpeg?auto=compress&cs=tinysrgb&w=1200) 

Foto: [Emmanuel Correia](https://www.pexels.com/@emmanuelcorreia?ref=blog.guiadaobra.pt) via Pexels

Estas grelhas são permanentes e comunicam com o exterior, diretamente ou por caminho indireto. Não são reguláveis, não se fecham no inverno e não se tapam com um móvel de cozinha. É esse o pormenor que gera mais discussão no dia da inspeção, porque a grelha entra em conflito com o desenho da cozinha e alguém a acaba por esconder atrás de uma coluna de armários.

A conversa a ter é com a cozinha ainda no papel. Marcar as posições das grelhas na planta da cozinha, ao mesmo tempo que se marcam as tomadas e os pontos de água, e confirmar com quem faz os móveis que nenhuma fica coberta. Depois de os armários estarem montados, mudar uma grelha significa abrir a fachada.

Um caso à parte é o esquentador ou a caldeira, que além do ar de combustão precisam de evacuação dos produtos de combustão para o exterior, com o percurso e a saída definidos no projeto. Uma exaustão que descarrega para uma varanda fechada ou junto a uma janela é motivo de reprovação e de risco real.

## Detetores e válvulas de corte: pormenores que salvam

Os detetores de gás são baratos e montam-se em alturas diferentes conforme o combustível, o que quase ninguém sabe. O GPL é mais pesado do que o ar e acumula-se junto ao chão, por isso o detetor fica em baixo. O gás natural é mais leve e sobe, por isso o detetor fica junto ao teto. Um detetor colocado à altura errada é decoração.

As válvulas de corte seguem a mesma lógica que na [rede de água](https://blog.guiadaobra.pt/fase-6-3-rede-agua-casa/), com uma exigência acrescida: têm de estar acessíveis de imediato, sem desmontar nada e sem ferramentas. O momento em que uma válvula de gás é precisa é o momento em que ninguém tem tempo para procurar uma chave.

Vale a pena fixar por escrito, e deixar em casa, onde estão todas as ligações e válvulas da instalação, com uma fotografia. Quem lá vive tem de saber cortar o gás sem hesitar, incluindo quem visita e quem fica com a casa mais tarde.

## Estanquidade e inspeção antes de ligar o fornecimento

Antes de o fornecimento ser ativado há dois passos que não se saltam. Primeiro, o teste de estanquidade da rede, feito pelo instalador com a rede pressurizada, para confirmar que não há fugas em nenhuma união. Segundo, a inspeção da instalação por uma entidade inspetora de gás reconhecida pela DGEG, que é a condição para a distribuidora ligar.

Estas inspeções têm prazos de marcação, e é essa a razão pela qual esta subfase entra atrasada em tantas obras. Agendar com semanas de antecedência, e não no dia em que a casa está pronta, é o que evita ter tudo terminado à espera de uma visita.

Como em todas as instalações que ficam dentro das paredes, fotografar a rede antes de fechar é obrigatório na prática. Serve para a inspeção e serve para o dia em que alguém quiser furar uma parede da cozinha.

## Depois da obra: as inspeções que continuam

A instalação de gás é das poucas que traz uma obrigação vitalícia para quem lá mora. Pelo regime do Decreto-Lei 97/2017, uma instalação residencial executada depois de 21 de agosto de 2018 tem a primeira inspeção obrigatória aos 10 anos e, a partir daí, de 5 em 5 anos. Instalações anteriores a essa data têm prazo até 26 de agosto de 2028, ou até completarem 20 anos, o que acontecer primeiro.

O boletim de inspeção de uma habitação é válido cinco anos, e o incumprimento não depende de ninguém avisar. Segundo o [enquadramento do DL 97/2017](https://www.inspectos.pt/guias/gas-certificates/inspecao-gas-obrigatoria-dl-97-2017?ref=blog.guiadaobra.pt), as coimas para pessoa singular vão de 250 € a 3.500 €, e o processo prevê notificação, três meses para regularizar e corte definitivo do fornecimento. A inspeção em si custa cerca de 60 € a 80 €, segundo valores de mercado.

Esta é a parcela do custo do gás que nunca aparece na comparação inicial. Não é grande, mas existe todos os anos da vida da casa, e soma-se à manutenção dos equipamentos.

## Quanto custa e quanto demora a instalação de gás em Portugal

A execução da rede de gás de uma moradia unifamiliar em Portugal custa tipicamente entre 1.500 € e 4.000 € mais IVA e demora 1 a 2 semanas, cerca de 0,45% do custo total da construção. É a subfase mais barata da fase de instalações, e a única que dá para eliminar por completo.

Eliminar tem um efeito que vai além do valor: sem rede de gás não há grelhas de ventilação a condicionar a cozinha, não há inspeção antes de ligar, não há inspeções de 5 em 5 anos e não há manutenção de caldeira. Em contrapartida, toda a produção de água quente e de aquecimento passa a depender de eletricidade, o que reforça a importância do que ficou decidido no [projeto térmico](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-7-projeto-termico-reh-casa/).

A sequência de execução, na prática, é esta:

1. Confirmar se a regra municipal ou a distribuidora obrigam a prever a rede.
2. Comparar o custo de utilização das duas soluções antes de comprar equipamentos.
3. Pedir por escrito o número de certificação DGEG da empresa instaladora.
4. Marcar as grelhas de ventilação na planta da cozinha, com os móveis já desenhados.
5. Executar a rede conforme o projeto, com os materiais especificados.
6. Instalar contador, válvulas de corte acessíveis e detetores à altura certa para o tipo de gás.
7. Confirmar o percurso e a saída da evacuação dos produtos de combustão.
8. Fazer o teste de estanquidade e guardar o registo.
9. Fotografar toda a rede antes de fechar paredes.
10. Agendar a inspeção com antecedência e só depois pedir a ativação do fornecimento.

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## Perguntas frequentes sobre a instalação de gás

**Vale a pena pôr gás numa casa nova?** 

Depende de quanto se cozinha com chama e de quanto tempo se conta ficar na casa. Uma caldeira a gás aproveita cerca de 92% da energia; uma bomba de calor com SCOP 4 entrega quatro unidades de calor por cada uma de eletricidade, o que costuma dar cerca de metade do custo por kWh de calor. O gás ganha no investimento inicial e perde na utilização.

**Quem pode fazer a instalação de gás?** 

Só uma empresa instaladora certificada pela DGEG, com técnico responsável identificado. Sem essa certificação a instalação não é inspecionada nem legalizada e a distribuidora não liga o fornecimento. Pedir o número de certificação por escrito antes de adjudicar evita descobrir o problema no fim da obra.

**Posso tapar a grelha de ventilação da cozinha?** 

Não, em circunstância nenhuma. As aberturas de ventilação dos compartimentos com aparelhos a gás são permanentes e comunicam com o exterior. Tapá-las, mesmo no inverno ou com um móvel, é motivo de reprovação na inspeção e cria risco real de acumulação de gases de combustão. Marcar a posição das grelhas na planta da cozinha resolve o conflito com os armários.

**Onde se instalam os detetores de gás?** 

Depende do combustível. O GPL é mais pesado do que o ar e acumula-se junto ao chão, por isso o detetor vai em baixo. O gás natural é mais leve e sobe, por isso o detetor vai junto ao teto. Um detetor colocado à altura errada não deteta nada. O custo é baixo e a diferença em segurança é grande.

**De quantos em quantos anos é a inspeção obrigatória?** 

Numa instalação residencial feita depois de 21 de agosto de 2018, a primeira inspeção é aos 10 anos e depois de 5 em 5\. O boletim vale cinco anos e o incumprimento não depende de notificação prévia: as coimas para pessoa singular vão de 250 € a 3.500 € e o processo pode terminar em corte definitivo do fornecimento.

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**A decisão sobre o gás toma-se antes da rede, não depois dos equipamentos comprados.** A app Guia da Obra acompanha-te em cada passo da construção, com checklists, alertas e estimativas de custo para Portugal.

*Continuar a ler:* [Projeto de gás](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-6-projeto-gas-casa/) · [Rede de água](https://blog.guiadaobra.pt/fase-6-3-rede-agua-casa/) · [Projeto térmico e REH](https://blog.guiadaobra.pt/fase-3-7-projeto-termico-reh-casa/)