Projeto ITED: o guia de telecomunicações da casa
O projeto ITED decide se a casa tem internet rápida em todo o lado. ATI, tomadas de rede, fibra e os erros que se pagam depois.
O projeto ITED é a especialidade que decide se a sua casa vai ter internet de alta velocidade em todas as divisões ou Wi-Fi a falhar no quarto do fundo. Parece técnico demais para o dono da obra opinar, e é exatamente por isso que tantas casas novas ficam mal preparadas. As decisões que contam aqui não são técnicas, são sobre como vai viver a casa.
Em resumo
- O projeto ITED define as infraestruturas de telecomunicações da casa: fibra ótica, TV, telefone e dados.
- É obrigatório em toda a nova construção (DL 123/2009) e sem ele não há licença de utilização.
- Tem de ser assinado por projetista certificado pela ANACOM — confirmar sempre a certificação.
- Prever tomadas ethernet (RJ45) em todas as divisões principais, mesmo que o uso previsto seja Wi-Fi.
- O ATI deve ficar acessível e com espaço para um switch; um armário apertado e escondido é um arrependimento garantido.
Seguir a checklist desta especialidade na app — ponto a ponto, sem esquecer nada.
Abrir checklist na app →O que é o projeto ITED e porque é obrigatório
O projeto ITED define as Infraestruturas de Telecomunicações em Edifícios: as tubagens, a cablagem e os pontos de acesso que ligam a casa à fibra, à TV, ao telefone e à rede de dados. É obrigatório em toda a construção nova ao abrigo do Decreto-Lei 123/2009, e a sua ausência impede a emissão da licença de utilização. Sem ITED, a casa não passa na vistoria final.
O projeto tem de ser feito por um projetista certificado pela ANACOM, a Autoridade Nacional de Comunicações. Confirmar essa certificação antes de contratar é o primeiro passo, porque é a ANACOM que regula as telecomunicações em Portugal e acredita tanto os projetistas como as entidades inspetoras. Um projeto assinado por quem não está certificado não serve para o licenciamento.
O detalhe que muita gente ignora: o ITED garante, no mínimo, duas fibras óticas por habitação, o que deixa contratar dois operadores distintos sem obras. Mas o regulamento define o mínimo. O conforto real, esse, decide-se nas escolhas que vão além do mínimo, e é aí que o dono da obra tem de entrar.
Tomadas de rede: a decisão que parece técnica mas é de uso
A decisão mais importante do ITED não é técnica, é imaginar como vai usar a casa. Onde fica a televisão principal, e onde podem surgir outras na cozinha ou nos quartos. Onde vai o router. Se a casa é grande e vai precisar de pontos de Wi-Fi em vários pisos. Tudo isto se desenha no papel, antes de existir uma parede.
A regra de ouro é simples: prever uma tomada ethernet (RJ45) em todas as divisões principais, mesmo que o plano seja usar só Wi-Fi. Sala, quartos, escritório e cozinha. Um cabo de rede numa parede custa cêntimos na obra e é impossível de acrescentar depois sem abrir roços. O Wi-Fi falha; um cabo, não.
Vale prever também os pontos exteriores que quase ninguém lembra: câmaras de videovigilância, campainha com vídeo, rede para a zona da piscina ou do jardim. E garantir que os cabos de entrada das telecomunicações vêm da rua enterrados e com proteção contra a água da chuva, não pendurados e à vista. Estes pontos definem-se agora ou ficam de fora para sempre.
Não deixar passar nenhum alerta crítico desta especialidade.
Ver alertas na app →O ATI: o armário onde tudo se liga (e onde muita gente erra)
O ATI é o Armário de Telecomunicações Individual, onde se centralizam todas as ligações de telecomunicações da casa. É o ponto onde a fibra entra e de onde parte cada cabo para as divisões. Errar a sua posição ou o seu tamanho é um dos arrependimentos mais comuns desta fase, e foi exatamente o que me aconteceu.
No meu caso, o ATI, o quadro onde ficam guardadas todas as ligações de telecomunicações, ficou numa posição pouco acessível dentro da casa e com pouco espaço. Se eu quiser lá colocar um switch, que é o equipamento que liga vários cabos de rede entre si e garante que todos os pisos da casa têm internet de alta velocidade, simplesmente não tenho espaço. São coisas de que me esqueci e que condicionam o uso da casa todos os dias.
A rede de dados de uma casa funciona em estrela: cada tomada tem o seu cabo a chegar ao ATI, e é lá que um switch os liga todos entre si. Por isso o ATI tem de ficar acessível, numa zona técnica, e com folga para esse switch e para o equipamento do operador. Um armário apertado, fechado numa parede escondida, mata a possibilidade de uma rede decente.
Há ainda um erro clássico: meter o router dentro do ATI metálico e fechar a porta. O sinal Wi-Fi morre ali. O router ou o access point principal deve ficar numa zona central e aberta da casa, e o ATI serve para a cablagem e o switch, não para emitir Wi-Fi.
Pensar a casa do futuro: tubagem a mais nunca sobra
A tecnologia muda mais depressa do que as paredes. Por isso a melhor decisão no ITED é deixar margem para o que ainda não existe. Prever tubagens de maior diâmetro do que o mínimo obrigatório deixa puxar cabos novos no futuro sem abrir uma única parede.
A separação também é obrigatória e técnica: as tubagens ITED e as elétricas não podem partilhar o mesmo roço ou a mesma caixa. A proximidade dos cabos elétricos gera interferências no sinal, e por isso a lei exige percursos separados. É um ponto que o projetista resolve, mas que vale confirmar no projeto.
Vale ainda verificar uma coisa antes de fechar tudo: a cobertura de fibra na zona. Em localizações mais remotas pode não haver fibra disponível, e convém confirmar junto dos operadores (NOS, MEO, Vodafone) antes de finalizar o projeto, porque isso condiciona o tipo de infraestrutura a instalar. Descobrir que não há fibra depois da casa pronta é um problema sem solução fácil.
Resumindo as escolhas que valem a pena fazer com calma:
- Tomada ethernet em cada divisão principal, mesmo que o uso seja Wi-Fi.
- Tomada de rede no teto de cada divisão, para access points sem fios à vista.
- ATI acessível, numa zona técnica, com espaço para um switch.
- Tubagem de maior diâmetro do que o mínimo, para atualizações futuras.
- Pontos exteriores para câmaras, campainha com vídeo e rede no jardim.
- Entrada de cabos da rua enterrada e protegida da chuva.
Usar o Guia da Obra para acompanhar cada especialidade em tempo real.
Experimentar grátis →Perguntas frequentes sobre o projeto ITED
O projeto ITED é mesmo obrigatório numa moradia nova?
Sim. O ITED é obrigatório em toda a construção nova ao abrigo do Decreto-Lei 123/2009, e a sua ausência impede a emissão da licença de utilização. Sem o projeto e a respetiva instalação, a casa não passa na vistoria final, por isso não é um extra opcional, é um requisito legal como a eletricidade ou a água.
Quem pode assinar o projeto ITED?
Um projetista certificado pela ANACOM, normalmente engenheiro ou engenheiro técnico com habilitação reconhecida. A ANACOM é o regulador das telecomunicações em Portugal e acredita os projetistas e as entidades inspetoras. Confirmar a certificação antes de contratar é essencial, porque um projeto assinado por quem não está certificado não serve para o licenciamento.
Se vou usar só Wi-Fi, preciso mesmo de cabos de rede?
Sim. O Wi-Fi falha em casas grandes ou com paredes espessas, e um cabo de rede dá sempre ligação estável. Passar cabo numa obra custa cêntimos; acrescentá-lo depois obriga a abrir roços. O ideal é uma tomada ethernet em cada divisão principal e uma no teto para um access point Wi-Fi, que cobre muito melhor do que um router pousado numa estante.
Onde deve ficar o ATI?
Numa zona técnica acessível, com folga para um switch e para o equipamento do operador. Um ATI apertado e escondido numa parede impede uma rede decente entre pisos. E nunca meter o router dentro do ATI metálico fechado: o sinal Wi-Fi morre ali. O router fica numa zona central e aberta; o ATI serve para a cablagem.
E se a minha zona não tiver fibra ótica?
Convém verificar antes de fechar o projeto. Em zonas mais remotas pode não haver cobertura de fibra, e isso condiciona o tipo de infraestrutura a instalar. Confirmar junto dos operadores (NOS, MEO, Vodafone) a disponibilidade na morada exata evita surpresas. A tubagem ITED fica sempre preparada, mas a ligação efetiva depende da rede disponível na zona.
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