Projeto AVAC: climatização e conforto da casa

O projeto AVAC define o conforto térmico e a fatura de energia da casa. Bomba de calor, piso radiante, AC e os erros que se pagam depois.

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Unidade exterior de bomba de calor junto a uma casa, parte de um sistema AVAC
Foto: alpha innotec via Unsplash

O projeto AVAC decide o conforto térmico da casa e, com ele, boa parte da fatura de energia que vai pagar para o resto da vida. É a especialidade que define como aquece, arrefece e ventila a casa. E é também onde se escondem decisões estéticas que ninguém antecipa: onde fica a unidade interior do ar condicionado pode dar cabo de uma sala bonita.

Em resumo

  • O projeto AVAC define o aquecimento, o arrefecimento e a ventilação da casa, em conformidade com o REH.
  • A bomba de calor com piso radiante hidráulico é a solução mais eficiente para nova construção em Portugal.
  • O COP mede a eficiência: um COP de 4 produz 4 kWh de calor por cada 1 kWh elétrico consumido.
  • Decidir cedo a posição das unidades interiores e exteriores evita arrependimentos estéticos difíceis de corrigir.
  • O AC valoriza a casa, melhora a classe energética e custa pouco no total da obra.

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O que é o projeto AVAC e porque importa

O projeto AVAC define os sistemas de aquecimento, arrefecimento e ventilação da casa, garantindo conforto térmico e qualidade do ar interior. É obrigatório sempre que existam sistemas mecânicos de climatização, e a sua ausência impede a aprovação do projeto térmico e o licenciamento. Tem de ser assinado por um projetista inscrito na Ordem dos Engenheiros.

A sigla resume tudo: Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado. Mas o projeto não é só escolher equipamentos. É dimensionar condutas, caudais de ar por divisão e potências, e garantir que tudo cumpre os mínimos do Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação, o REH. Ventilação a menos compromete a qualidade do ar e a classe energética.

O ponto que muita gente subestima: o AVAC tem de conversar com o projeto térmico e com o elétrico. Os equipamentos escolhidos têm de corresponder aos previstos no REH e ter circuitos dedicados no projeto elétrico. Trocar de equipamento a meio da obra sem avisar o perito térmico pode baixar a classe energética final da casa.

Bomba de calor com piso radiante: a solução de referência

A bomba de calor aerotérmica com piso radiante hidráulico é a solução mais eficiente para uma habitação nova em Portugal. Por cada kWh elétrico que consome, produz 3 a 5 kWh de energia térmica, dá um conforto excelente e ajuda a obter uma melhor classe energética. É a combinação que mais se recomenda hoje.

O segredo está no COP, o coeficiente de performance. Um COP de 4 significa que a bomba entrega 4 kWh de calor por cada 1 kWh elétrico que gasta, e as bombas atuais andam entre 3,5 e 5,0 (dados de fabricantes e instaladores, 2025). É por isso que aquecer com piso radiante a água gasta cerca de um terço do que custaria a mesma solução com resistências elétricas.

Os números ajudam a decidir. Um sistema completo ar-água de 12 kW para moradia com piso radiante custa tipicamente entre 6.000 € e 7.500 € (Habitissimo e fornecedores, 2025), e o piso radiante hidráulico ronda os 40 € a 90 €/m². Aquecer uma casa de 80 a 100 m² algumas horas por dia fica nos 40 € a 55 € por mês. O retorno do investimento face a soluções menos eficientes costuma acontecer em 3 a 8 anos, e há apoios do Fundo Ambiental que aligeiram a fatura inicial.

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Prever desde o projeto o espaço técnico exterior para as unidades de AC e ventilação. Instalar depois, sem espaço adequado, é caro e fica feio. O mesmo vale para os acessos de manutenção: filtros, drenagens e revisões precisam de chegar lá com facilidade.

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Onde ficam as unidades: o erro que vivi na pele

A decisão menos técnica do AVAC é também a que mais me arrependo de não ter discutido. Onde ficam as unidades interiores e exteriores do ar condicionado não é detalhe, é estética da casa para sempre. E é fácil deixar essa escolha nas mãos do instalador, com maus resultados.

A minha casa tem pré-instalação de ar condicionado, que creio ser obrigatória por lei. Mas não basta ter AC, há decisões importantes sobre onde colocar os módulos. Na minha sala, o ar condicionado ficou no centro do teto, embutido, sem estar encostado a uma parede, e isso prejudica bastante a estética da sala. Devia ter previsto isto com mais cuidado, não o fiz, e agora arrependo-me. O mesmo vale para os módulos exteriores: saber onde ficam, para não afetarem a estética da casa e ficarem protegidos.

As unidades exteriores também fazem barulho. A sua localização tem de ser validada com o arquiteto, tendo em conta as distâncias às habitações vizinhas e o enquadramento estético. Um módulo mal colocado é ruído na varanda do vizinho e um ponto feio na fachada. Nos quartos, as unidades interiores acabam muitas vezes por cima das portas, mas nas zonas amplas como a sala há margem para escolher, e essa escolha tem de ser feita no projeto.

Quem hesita entre pôr ou não pôr ar condicionado, o meu conselho é claro: pôr. Beneficia a eficiência energética, custa pouco no total da obra e valoriza a casa na venda. Por melhor que seja o isolamento e a exposição solar, há sempre dias de inverno e de verão em que é preciso. E o AC só é caro se for usado em excesso, porque a qualquer momento se pode ligar apenas quando há mesmo necessidade.

Ventilação: a parte invisível que define a qualidade do ar

A ventilação é a parte do AVAC que ninguém vê e quase ninguém valoriza, mas é o que define o ar que se respira em casa. O REH define caudais mínimos de renovação de ar por divisão, e cumpri-los não é opcional: ventilação insuficiente traz humidade, condensação e má qualidade do ar interior.

Para nova construção, a solução mais eficiente é a VMC de duplo fluxo, a ventilação mecânica controlada que renova o ar em contínuo e recupera até 90% da energia térmica do ar que extrai. Em vez de deitar fora o ar já aquecido, aproveita-o para pré-aquecer o ar novo que entra. Numa casa bem isolada, faz uma diferença enorme no conforto e na fatura.

O princípio é simples de perceber: insufla-se ar novo nos quartos e na sala, extrai-se o ar viciado das casas de banho, cozinha e lavandaria. Resumindo as decisões que vale a pena fechar com o projetista de AVAC:

  1. Sistema de aquecimento: piso radiante hidráulico, radiadores ou bomba de calor.
  2. Sistema de arrefecimento: splits, multisplit, VRV ou arrefecimento por piso radiante.
  3. Posição das unidades interiores, divisão a divisão, com olho na estética.
  4. Local das unidades exteriores, com o arquiteto, por causa do ruído e da fachada.
  5. Tipo de ventilação e caudais mínimos do REH por divisão.
  6. Espaços técnicos e acessos de manutenção previstos na arquitetura.

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Perguntas frequentes sobre o projeto AVAC

Qual é a melhor solução de climatização para uma moradia nova?

A bomba de calor aerotérmica com piso radiante hidráulico é a solução de referência em Portugal. Por cada kWh elétrico produz 3 a 5 kWh de calor, dá conforto excelente e melhora a classe energética. Para arrefecimento, junta-se ar condicionado ou arrefecimento por piso radiante. É mais cara de instalar, mas paga-se em poupança ao longo dos anos.

Quanto custa uma bomba de calor com piso radiante?

Um sistema completo ar-água de 12 kW para moradia com piso radiante custa tipicamente entre 6.000 € e 7.500 €, e o piso radiante hidráulico ronda os 40 € a 90 €/m². Aquecer uma casa de 80 a 100 m² algumas horas por dia fica nos 40 € a 55 € por mês. Há apoios do Fundo Ambiental que reduzem o investimento inicial.

Vale a pena pôr ar condicionado se a casa tem bom isolamento?

Vale. Por melhor que seja o isolamento e a exposição solar, há sempre dias de inverno e verão em que é preciso climatizar. O AC melhora a eficiência energética, valoriza a casa na venda e custa pouco no total da obra. E só é caro se for usado em excesso, porque pode ligar-se apenas quando há mesmo necessidade.

O que é a VMC de duplo fluxo?

É a ventilação mecânica controlada que renova o ar de forma contínua e recupera até 90% da energia térmica do ar extraído, pré-aquecendo o ar novo que entra. Insufla ar nos quartos e na sala, extrai das zonas húmidas. Numa casa nova bem isolada é a solução mais eficiente para garantir qualidade do ar sem desperdiçar energia.

Posso mudar de equipamento depois do projeto?

Pode, mas com cuidado. Substituir equipamentos AVAC (marca, modelo ou potência) sem atualizar o projeto térmico pode baixar a classe energética final da casa. Qualquer alteração tem de ser comunicada ao perito térmico para que o REH reflita o que foi realmente instalado. Mudar sem avisar é arriscar uma classe energética pior na certificação.

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A posição de cada unidade de ar condicionado decide-se no projeto, ou vive na sua sala para sempre. A app Guia da Obra acompanha-o em cada passo da construção, com checklists, alertas e estimativas de custo para Portugal.

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