Projeto de gás: gás ou casa 100% elétrica?
O projeto de gás já não é obrigatório na construção nova. Gás natural, GPL ou casa 100% elétrica: a primeira decisão e como decidir bem.
O projeto de gás é a especialidade que talvez não precise mesmo de ter. Desde 2023 que a pré-instalação de gás deixou de ser obrigatória na construção nova em Portugal, e isso muda a primeira decisão a tomar: gás ou casa 100% elétrica. Se optar por gás, o projeto define condutas, equipamentos, ventilações e o corte de segurança. Se optar por elétrico, este projeto desaparece.
Em resumo
- O projeto de gás define a rede de distribuição, os equipamentos, as ventilações obrigatórias e o sistema de corte da habitação.
- Desde o Decreto-Lei 11/2023, a pré-instalação de gás deixou de ser obrigatória na construção nova.
- A primeira decisão é o tipo de energia: gás natural, GPL ou casa 100% elétrica.
- Se houver equipamentos a gás, o projeto é obrigatório e a instalação tem de ser feita por empresa certificada pela DGEG.
- As aberturas de ventilação em espaços com gás nunca podem ser fechadas, nem por estética nem por isolamento.
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Antes de pensar no projeto de gás, vale parar e perguntar se quer mesmo gás. Desde o Decreto-Lei 11/2023, de 10 de fevereiro, os edifícios novos ou em obra deixaram de ser obrigados a ter instalação de gás. A pré-instalação que durante anos foi imposta deixou de o ser, e isso abre a porta à casa 100% elétrica.
A alternativa elétrica é cada vez mais atraente. Uma bomba de calor aerotérmica para aquecimento e águas quentes, mais uma placa de indução na cozinha, elimina por completo o projeto de gás. Sem gás, há menos manutenção (o gás exige inspeção e revisão anual da chaminé ou ventosa), um licenciamento mais simples e nenhum risco associado à combustão dentro de casa.
Mas o gás continua a ter o seu lugar. Em zonas com rede de gás natural, o custo por kWh é geralmente inferior ao da eletricidade e ao do GPL, e há quem prefira a chama na cozinha. A decisão tem impacto no licenciamento, nos custos de manutenção e no orçamento global, por isso convém verificar junto da distribuidora local se há rede de gás natural no terreno e quais os custos e prazos de ligação antes de decidir.
Gás natural, GPL ou bomba de calor: como escolher
A escolha do tipo de energia resume-se a três caminhos, e cada um tem implicações claras. A resposta certa depende da zona, do orçamento e de quanto valoriza a simplicidade futura.
- Gás natural. A opção mais económica e prática onde existe rede pública, com fornecimento contínuo e preço por kWh competitivo. Implica ligação à rede e projeto de gás.
- GPL. A alternativa em zonas sem rede de gás natural, armazenado num depósito próprio, enterrado ou aéreo. Implica espaço exterior dedicado e condicionantes de segurança específicas.
- Casa 100% elétrica. Bomba de calor e indução eliminam o projeto de gás, reduzem a manutenção e simplificam o licenciamento. O investimento inicial na bomba de calor é mais alto, tipicamente entre 6.000 € e 12.000 € (fornecedores, 2025).
O ponto contraintuitivo: poupar no equipamento inicial pode sair caro. Uma bomba de calor reduz as despesas de aquecimento em 30% a 50% face a sistemas a gás, e a poupança acumula-se ao longo dos anos. Já o gás natural canalizado ganha quando há rede à porta e um consumo elevado. Não há resposta única, mas há uma resposta certa para cada caso, e ela decide-se agora, não depois das paredes fechadas. Mudar de ideias mais tarde, acrescentar gás a uma casa que nasceu elétrica ou o contrário, obriga a abrir paredes, refazer traçados e voltar a licenciar, com um custo que nada tem a ver com a decisão tomada a tempo no projeto.
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Se a opção for gás, o projeto é obrigatório sempre que existam equipamentos a gás: esquentador, fogão, caldeira ou lareira. Define o traçado das condutas, a localização dos equipamentos e os sistemas de ventilação obrigatória, sempre em conformidade com o regulamento técnico e a legislação em vigor.
O projeto tem de ser feito por um projetista de instalações de gás certificado pela DGEG, e a instalação tem de ser executada por uma empresa também certificada. Este ponto não é negociável: instalações feitas por empresas não certificadas não podem ser inspecionadas nem legalizadas, e sem inspeção aprovada não há fornecimento de gás. A inspeção é feita por uma Entidade Inspetora de Gás autorizada pela DGEG, e o certificado de uma habitação é válido por cinco anos.
Há ainda uma coordenação que poupa muitos problemas. O projeto de gás tem de conversar com o AVAC, o SCIE e a arquitetura, porque a localização dos equipamentos e as ventilações obrigatórias têm impacto direto nos quatro. E vale confirmar com a distribuidora a posição do contador antes de fechar o projeto, porque é ela que condiciona todo o traçado da rede interior.
A segurança do gás não acaba com a obra. Depois de instalada e aprovada, a instalação fica sujeita a inspeções periódicas obrigatórias ao longo da vida da casa, feitas por entidades autorizadas pela DGEG. É uma diferença prática face à casa 100% elétrica, que não tem este encargo recorrente. Quem escolhe gás deve contar com esta manutenção regular no orçamento de longo prazo, não só com o custo da instalação inicial.
Segurança: ventilação e corte que não se negoceiam
A segurança numa instalação de gás assenta em duas coisas simples e inegociáveis: ventilação e corte. Ignorar qualquer uma delas é um risco real e uma infração grave. Não são detalhes técnicos, são o que mantém a casa segura.
Todos os espaços com equipamentos a gás têm de ter ventilação obrigatória, aberturas ou sistemas exigidos por lei para prevenir a acumulação de gases. Obstruir ou reduzir essas aberturas por razões estéticas ou de isolamento é uma infração grave e um perigo. É uma tentação comum, tapar a grelha de ventilação da cozinha que estraga o alinhamento dos armários, mas nunca se deve fazer.
A segunda peça é a válvula de corte geral, de fácil acesso. Em caso de emergência ou manutenção, cortar o fornecimento rapidamente pode evitar um acidente. Vale a pena listar os pontos de segurança que o projeto tem de garantir:
- Ventilação obrigatória em todos os espaços com gás, nunca obstruída.
- Válvula de corte geral de fácil acesso.
- Evacuação de fumos e gases na cozinha.
- Distâncias de segurança aos equipamentos respeitadas.
- Instalação por empresa certificada pela DGEG.
- Inspeção aprovada antes do primeiro fornecimento.
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O projeto de gás é obrigatório numa moradia nova?
Desde o Decreto-Lei 11/2023, a pré-instalação de gás deixou de ser obrigatória na construção nova. O projeto de gás só é obrigatório se a casa tiver equipamentos a gás, como esquentador, fogão, caldeira ou lareira. Se optar por uma casa 100% elétrica, com bomba de calor e indução, não precisa deste projeto.
Compensa fazer casa 100% elétrica em vez de gás?
Em muitos casos, sim. Uma bomba de calor reduz as despesas de aquecimento em 30% a 50% face ao gás, elimina a manutenção anual da chaminé e simplifica o licenciamento. O investimento inicial é mais alto, entre 6.000 € e 12.000 €. O gás natural ganha quando há rede à porta e consumo elevado. Depende da zona e do orçamento.
Qual a diferença entre gás natural e GPL?
O gás natural chega por rede pública, tem fornecimento contínuo e preço por kWh geralmente mais baixo. O GPL é a alternativa onde não há rede, armazenado num depósito próprio enterrado ou aéreo, o que implica espaço exterior dedicado e condicionantes de segurança. Em zonas com rede de gás natural, esta costuma ser a opção mais económica.
Quem pode fazer a instalação de gás?
O projeto tem de ser de um projetista certificado pela DGEG e a instalação executada por uma empresa também certificada. Instalações feitas por empresas não certificadas não podem ser inspecionadas nem legalizadas, e sem inspeção aprovada não há fornecimento de gás. A inspeção é feita por uma Entidade Inspetora de Gás autorizada pela DGEG.
Posso fechar as grelhas de ventilação da cozinha?
Não. As aberturas de ventilação obrigatória em espaços com gás existem para prevenir a acumulação de gases e nunca podem ser obstruídas ou reduzidas, nem por estética nem por isolamento. Fechá-las é uma infração grave e um risco de segurança sério. Numa inspeção, uma ventilação obstruída reprova a instalação.
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