Projeto SCIE: segurança contra incêndio em casa

O projeto SCIE protege a casa do incêndio e pode baixar o seguro. Categoria de risco, detetores, extintores e o que prever além do mínimo.

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Alarme de incêndio numa parede, parte de um sistema de segurança contra incêndio
Foto: Eric Prouzet via Unsplash

O projeto SCIE, de segurança contra incêndio em edifícios, é a especialidade que ninguém quer precisar de usar, mas que pode salvar a casa e a família. Numa moradia parece um exercício burocrático sem grande margem para o dono da obra opinar. E em parte é. Mas há decisões aqui, sobretudo as que vão além do mínimo legal, que valem cada cêntimo, e até pesam no prémio do seguro.

Em resumo

  • O SCIE garante que a casa cumpre os requisitos legais de prevenção, evacuação e combate a incêndio, conforme a categoria de risco.
  • As medidas SCIE são obrigatórias em todos os edifícios (DL 220/2008); a moradia típica fica na 1.ª categoria de risco, a mais simples.
  • Na 1.ª categoria de risco, o projeto de especialidade é muitas vezes substituído por uma ficha técnica de SCIE.
  • Detetores de fumo interligados em todas as divisões são baratos e dos investimentos mais eficazes em segurança.
  • Uma casa bem protegida contra incêndio pode reduzir o prémio do seguro multirriscos.

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O que é o projeto SCIE e porque importa numa moradia

O projeto SCIE define as medidas de segurança contra incêndio da casa: a prevenção, os caminhos de evacuação e os meios de primeira intervenção, como extintores e detetores. É enquadrado pelo Regime Jurídico da Segurança Contra Incêndios em Edifícios, o Decreto-Lei 220/2008, e pelo respetivo regulamento técnico, atualizado pela Portaria 135/2020.

As medidas de segurança contra incêndio são obrigatórias em todos os edifícios, sem exceção. O que muda é o nível de exigência, que depende da utilização-tipo (no caso, habitacional) e da categoria de risco. A maioria das moradias unifamiliares fica na 1.ª categoria de risco, a mais simples, o que reduz bastante os requisitos e os custos de conformidade.

Há aqui um ponto que confunde muita gente. Numa moradia de 1.ª categoria de risco, até dois pisos e altura inferior a 9 metros, o projeto de especialidade de SCIE é frequentemente substituído por uma ficha técnica de segurança contra incêndios, mais simples. A obrigação de cumprir o SCIE mantém-se sempre; o que varia é a forma do documento exigido pela câmara.

Quem assina e como se classifica o risco

O SCIE tem de ser elaborado por um técnico credenciado, engenheiro ou arquiteto inscrito na respetiva ordem com habilitação para a matéria. É esse técnico que classifica a utilização-tipo e a categoria de risco da casa com base no regulamento técnico, e que assume a responsabilidade pelo documento. Confirmar a credenciação antes de contratar evita problemas no licenciamento.

A categoria de risco varia de 1 (menor risco) a 4 (maior risco) e é ela que define tudo o resto: que equipamentos são exigidos, que caminhos de evacuação têm de existir e que classificação de materiais é aceitável. Para a moradia comum, a 1.ª categoria significa requisitos contidos, mas não significa requisitos nenhuns.

Mesmo numa moradia podem ser exigidos extintores e detetores consoante a categoria. A regra prática dos extintores é clara: a distância a percorrer desde qualquer ponto até ao extintor mais próximo não deve ultrapassar os 15 metros. Vale pedir ao projetista, logo no início, a lista de equipamentos obrigatórios, para a prever no orçamento de construção e não ser apanhado de surpresa no fim.

Para as moradias de 1.ª categoria de risco, o documento SCIE é apreciado no âmbito do licenciamento municipal, e não há a complexidade dos pareceres da proteção civil que se aplicam a edifícios de risco mais elevado. Isso torna o processo relativamente leve, mas não dispensa o rigor: a memória descritiva, a planta com os caminhos de evacuação e a lista de meios de intervenção têm de estar coerentes entre si e com os restantes projetos de especialidade. Um SCIE feito à pressa, desligado das outras especialidades, é uma fonte garantida de pedidos de esclarecimento da câmara.

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Instalar detetores de fumo interligados em todas as divisões. Quando um deteta fumo, todos os alarmes disparam em simultâneo, e isso dá segundos preciosos de aviso. São muito mais eficazes do que detetores independentes e o custo incremental é reduzido.

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A coordenação com o gás e a arquitetura

O projeto SCIE não vive sozinho, e a coordenação com o gás é a mais crítica. A localização dos equipamentos a gás, como a caldeira ou o esquentador, e as ventilações obrigatórias têm implicações diretas no SCIE. Desenhar as duas especialidades em separado é pedir conflitos que só aparecem em obra, quando já é caro corrigir.

A compatibilização com a arquitetura é igualmente importante. Os caminhos de evacuação e a posição dos meios de intervenção têm de encaixar na planta real da casa. Alterações tardias na arquitetura podem obrigar a rever todo o projeto SCIE, com atrasos e custos que se evitam coordenando tudo desde o início.

Há um detalhe técnico que apanha muita gente de surpresa: os materiais de revestimento interior têm de cumprir classificações mínimas de reação ao fogo. Escolher um revestimento bonito mas com má classificação obriga a substituí-lo em obra. Por isso vale confirmar sempre com o projetista SCIE antes de fechar os acabamentos, e não depois de os comprar.

Proteger por excesso: a vertente que ninguém lembra

Cumprir o mínimo legal protege a casa no papel; proteger por excesso protege-a a sério. O incêndio é dos riscos mais destrutivos de uma habitação, e algumas medidas extra custam pouco face ao que evitam. Esta é a parte onde o dono da obra deve pensar para lá do que a lei exige.

O projeto de incêndio é difícil de opinar para um dono de obra sem experiência, e no meu caso baseei-me nas recomendações dos técnicos. Mas todos os cuidados são poucos. Recomendo que esteja sempre prevista a existência de detetores de fumo, seja nesta secção, seja na de domótica, e em zonas específicas até pode fazer sentido prever sprinklers ou extintores, consoante o uso. Tudo o que sejam medidas, obrigatórias ou por excesso, que protejam a casa de incêndio são importantes, não só pela segurança da família e dos bens, mas também pela vertente do seguro.

Esse último ponto é o mais subestimado. Uma casa bem protegida contra incêndio pode traduzir-se num prémio mais baixo no seguro multirriscos, porque o risco para a seguradora é menor. As medidas que parecem um custo na obra acabam por se pagar ao longo dos anos. Vale a pena listar as opções a considerar com o projetista:

  1. Detetores de fumo interligados em todas as divisões e em cada piso.
  2. Extintor acessível, a menos de 15 metros de qualquer ponto da casa.
  3. Sprinklers em zonas de maior risco, se o uso o justificar.
  4. Deteção específica junto a equipamentos a gás.
  5. Revestimentos com boa classificação de reação ao fogo.
  6. Sinalização clara dos caminhos de saída.

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Perguntas frequentes sobre o projeto SCIE

O projeto SCIE é obrigatório numa moradia unifamiliar?

O cumprimento das medidas SCIE é sempre obrigatório, ao abrigo do Decreto-Lei 220/2008. Na 1.ª categoria de risco, onde cai a maioria das moradias (até dois pisos e altura inferior a 9 metros), o projeto de especialidade é muitas vezes substituído por uma ficha técnica de segurança contra incêndios, mais simples, mas a conformidade nunca é dispensada.

Quem pode assinar o projeto SCIE?

Um técnico credenciado, engenheiro ou arquiteto inscrito na respetiva ordem profissional com habilitação para a matéria. É esse técnico que classifica a utilização-tipo e a categoria de risco e assume a responsabilidade. Confirmar a credenciação antes de contratar evita problemas no licenciamento e garante que o documento serve para a câmara.

Preciso mesmo de extintores e detetores numa moradia?

Depende da categoria de risco, mas extintores e detetores podem ser exigidos mesmo numa moradia. A regra dos extintores é que a distância a percorrer até ao mais próximo não ultrapasse os 15 metros. Mesmo quando não obrigatórios, os detetores de fumo interligados são dos investimentos mais eficazes e baratos em segurança que pode fazer.

Os materiais de acabamento têm de cumprir alguma regra de incêndio?

Sim. Os revestimentos interiores têm de cumprir classificações mínimas de reação ao fogo, definidas pela categoria de risco. Escolher um acabamento sem essa classificação obriga a substituí-lo em obra, com custo e atraso. Por isso vale confirmar a reação ao fogo com o projetista SCIE antes de comprar pavimentos, tetos ou revestimentos de parede.

A proteção contra incêndio influencia o seguro da casa?

Sim. Uma casa bem protegida, com detetores e meios de intervenção, representa menos risco para a seguradora, o que pode traduzir-se num prémio mais baixo no seguro multirriscos. Medidas que parecem só um custo na obra acabam por se pagar ao longo dos anos, além da segurança que dão à família e aos bens.

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